A América Latina Logística (ALL) amargou prejuízo consolidado de R$ 63,7 milhões no quarto trimestre do ano passado, ante as perdas de R$ 32 milhões em igual intervalo um ano antes.
De acordo com os demonstrativos financeiros publicados nesta terça-feira (9), a empresa lucrou R$ 31,7 milhões no acumulado de 2009, uma queda de 82,1% na comparação com o ano retrasado quando o lucro líquido foi de R$ 176,7 milhões.
A receita líquida consolidada caiu 22,3% no quarto trimestre, somando R$ 471,9 milhões. Em todo o ano de 2009, chegou a R$ 2,438 bilhões - queda de 2,4%.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) totalizou R$ 121,8 milhões entre outubro e dezembro e R$ 1,101 bilhão no acumulado anual. Isso equivale a uma retração de 53,7% e de 10,9%, respectivamente.
A companhia destaca os yields (tarifas) reduzidos e a severa retração do mercado ao longo do ano, que pressionou as margens para baixo. "O mercado em 2009 foi o mais desafiador que já havíamos enfrentado", comenta Bernardo Hees, diretor-presidente da ALL.
Segundo a companhia de logística, apesar da situação mais difícil do mercado, o volume das operações no Brasil cresceu 5,8% em 2009 para 35,631 milhões de toneladas por quilômetros úteis (TKUs). "No entanto, o aumento de volume ficou aquém de nossas expectativas para o ano, em função do fraco desempenho operacional registrado no quarto trimestre", diz Hees.
Nos últimos três meses do ano passado, o volume total de TKUs caiu 7,1% no Brasil. Um reflexo da intensidade das chuvas no período, que causaram queda de barreiras, interrupções parciais e vários pontos de restrição de tráfego ao longo da malha, afetando o tempo de trânsito e aumentando os custos operacionais.
Já na Argentina, o volume foi 27% menor em 2009 e 50,2% inferior considerando somente o trimestre. O vizinho latino-americano atravessou um momento desfavorável, com recessão da produção industrial e redução da safra agrícola.
Perspectivas
No release de divulgação do balanço, a ALL afirma que as perspectivas para 2010 indicam uma forte recuperação do mercado, revertendo o cenário de margens apertadas em 2009.
No Brasil, a safra total de soja deve subir mais de 18% na área de atuação da empresa, conforme estimativas mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). E a produção industrial deve crescer cerca de 8%.
Na Argentina, espera-se um crescimento da safra agrícola de mais de 40%. A operação argentina representa hoje 5% da receita da ALL e menos de 1% do Ebitda.