Requerimentos para pesquisa, 1º passo para explorar nova área e indicativo da disposição do setor privado em investir, caem 47%
Setor privado e governo atribuem queda à crise e negam relação com novo modelo para a mineração, que deve ser anunciado hoje
Às vésperas do anúncio do novo modelo para a mineração, o setor teve queda de 47,1% na quantidade de requerimentos de pesquisa em 2009. O requerimento é o primeiro passo para explorar uma nova área e um bom indicativo da disposição do setor privado de investir.
Os números do Ministério de Minas e Energia também indicam redução no faturamento global de mineração e metalurgia, que caiu 17,6%, passando de US$ 125 bilhões para US$ 103 bilhões no ano passado.
Tanto o governo como o setor privado apontam a crise mundial como explicação para os números ruins. A avaliação, com base no comportamento da indústria no final de 2009 e no início deste ano, é que está havendo recuperação.
"O setor vinha em um ritmo de crescimento sustentável desde o início do século, até a queda no ano passado", afirma Fernando Lins, diretor do Departamento de Tecnologia e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia. Ele ressaltou que os números do ministério são preliminares e poderão ter ajustes.
Para Lins, a queda de faturamento e a redução no número de requerimentos estão diretamente relacionados à crise. "Houve redução de demanda, e mineração é uma atividade que requer muito investimento."
De acordo com ele, não há relação direta entre o fato de o governo ter anunciado que iria modificar o marco legal do setor, que deve ser divulgado hoje, e a redução abrupta na quantidade de requerimentos de pesquisa.
Para Antônio Lannes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), a razão para a piora do desempenho do setor no ano passado também é a crise financeira mundial.
Ele avalia, no entanto, que já há sinais de melhora. "Os primeiros meses deste ano já demonstram recuperação." Segundo Lannes, o plano de recuperação da economia chinesa, com investimentos pesados em infraestrutura, foi fundamental para reativar a demanda.
A metalurgia, atividade de manufatura dos minérios, que gera produtos com maior valor agregado, foi mais afetada do que a mineração. A produção de aço caiu 21,3%, e a de ferro-gusa foi reduzida quase à metade (queda de 47%). A mineração de ferro, por outro lado, teve queda menor, de 7%.
Contramão
Nem toda a mineração foi afetada negativamente pela crise mundial. A produção de ouro, por exemplo, cresceu 5,5% (foi de 54 para 57 toneladas). "Isso acontece porque, em tempos de crise e instabilidade, o ouro passa a ser um investimento procurado", diz Lannes.
Outro setor que não foi atingido pela crise é o de agregados (areia e brita, principalmente). Fortemente ligado à construção civil, esse setor teve bom desempenho. "Houve as obras do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] e agora haverá Copa e Olimpíada. Esse segmento não verá crise tão cedo", afirmou o executivo.
A produção de areia e de brita aumentou 8%. A argila para cerâmica também faz parte desse setor, mas a produção caiu 2%.